Lado B


                                      E assim falou Jotabê Medeiros...

Eu vi de perto o pai de Michael Jackson, e ele não me causou boa impressão. Nunca parecia emocionado. Anda com uma publicist a tiracolo (uma assessora de imprensa), que o aconselha no meio das entrevistas a evitar este ou aquele assunto. Ele sempre obedece.
Eu estava lá na rua Carolwood quando a irmã de Michael, Janet Jackson, chegou com três caminhões de mudança à casa onde o cantor vivia, para levar todos seus objetos pessoais, apenas 32 horas após a morte do irmão. Não dava para esperar um pouco? Janet não me causou boa impressão.

Eu não gosto de ser lombrosiano, então deixei o tempo assentar as impressões. Não demonstrar emoção pública não quer dizer que não se tem coração.
Daí o pai de Michael, Joe, foi à CNN e ficou um tempão fazendo comercial dos seus novos negócios, falando de um novo selo musical que pensa em lançar, Ranch Records.
Caramba, o cara perdeu um filho e só pensa em faturar? (Ainda por cima, mostrou que é um laranja: selos musicais não são mais bom negócio há pelo menos uns cinco anos).

Michael confiou em algumas poucas pessoas na vida.
Duas dessas pessoas, Uri Geller e Deepak Chopra, estão em todos os canais de TV dando dezenas de entrevistas sobre a intimidade do “amigo”. Contam tudo, opinam sobre tudo. Há quem diga que recebem cachês por isso.
O ex-advogado, Brian Oxman, está por aí falando sem papas na língua. Diz que não sabe nem quantos remédios o astro tomava. Advogados não deviam preservar a intimidade de seus clientes? Uma semana antes, os relatos de Oxman eram incrivelmente diferentes.
A ex-babá está por aí contando barbaridades. Trabalhou 17 anos para o cara, e só depois de sua morte resolve abrir a matraca?

Bloqueado na infância de um jeito triste pelo pai (que, pelo que consta, nunca trabalhou na vida, vivendo sempre às custas da exploração dos filhos), Michael passou a idade adulta cercando-se de picaretas e mendigando lascas da infância alheia.
Levou alguns garotos para sua Neverland, playground que não lhe foi permitido quando moleque. Um desses garotos, doente, esteve ali com a mãe, o médico e todo mundo. Pouco tempo depois, a mãe do garoto processou o Rei do Pop, mas logo fez um belo acordo para calar a boca.
Que tipo de mãe releva abuso sexual do filho por um punhado de dólares?
Gente boa?
A ex-mulher de Michael, a enfermeira Debbie Rowe (em quem ele confiou para conseguir ter filhos, coisa que lhe parecia impossível), aparentava ser maternal e compreensiva com ele. Deu-lhe duas criaturas. Assim que teve os filhos, entretanto, processou Michael para obter grana e se mandou, largando os filhos para trás.
A filha de Elvis, Lisa Marie, sua outra mulher, com quem foi casado 20 meses,, saiu do casamento chamando-o de Flower Girl.

Michael Jackson confiou num documentarista chamado Martin Bashir, que usou métodos de alta traição pessoal (“Me ensina a dançar, querido Michael?”) para ganhar a confiança do entrevistado e retratá-lo como um freak alucinado. Bashir manipulou imagens e depoimentos para passar a idéia de uma confissão pública. Quase ajudou a condenar Michael.
A imprensa de celebridades, deliciada com sua imagem bizarra, vendeu sempre muito cavalgando suas extravagâncias. E foi a primeira a condená-lo precocemente não só pela pedofilia mas também pelo uso indiscriminado de porcarias.

Michael raramente foi visto em cenas de afeto ou convivência harmoniosa com os irmãos ou os pais. Não comia com eles em restaurantes, não iam a teatros ou shows juntos e eles não foram dar uma força para o astro durante seu traumático julgamento.
Como outros órfãos do show biz (Judy Garland, Sammy Davis Jr., Tatum O'Neal, River Phoenix, e atualmente Lindsay Lohan e Amy Winehouse) , Michael Jackson nunca teve uma casa de verdade em sua vida.

Não me entendam mal, não estou embarcando naquela tese do “pobre menino rico”. Jackson fez suas escolhas. Podia, por exemplo, ter ido morar longe, sepultar o passado na Riviera Francesa, mas ficou vagando ali pela vizinhança da casa paterna, tentando impressionar com um rancho mirabolante em Santa Barbara ou uma mansão de R$ 200 mil por mês nas imediações de Sunset Boulevard. Parecia querer ainda impressionar aqueles que o desprezaram.
Que Michael era um desajustado, nisso todos concordamos. Mas, perto de seus parentes, amigos e entourage, no entanto, Michael Jackson foi um cara normalíssimo.



Escrito por Mara às 09h43
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Tive oportunidade de assistir dois espetáculos de Pina Bausch. Sua expressão artística era algo avassalador. Lembro que nos primeiros minutos fiquei boquiaberta com aquela figura ossuda e gigantesca desenhando palavras com o corpo. Sim, era possível ler histórias através de seus movimentos, sons e luzes. Não saí do espetáculo com vontade de dançar, saí observando o movimento das coisas, das ruas e suas histórias. Memorável sua participação no filme Fale com Ela de Almodovar. É triste quando morre um artista.

                                                                      



Escrito por Mara às 12h38
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                          Só para tornar esse blog campeão!



Escrito por Mara às 13h04
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Devidamente tungado do blog Espelunca

 

“Não devemos desperdiçar a graça dos pequenos momentos de liberdade de que podemos desfrutar: uma mesa compartilhada com pessoas que amamos, umas criaturas que ampararemos, uma caminhada entre as árvores, a gratidão de um abraço. Nós nos salvaremos pelos afetos. O mundo nada pode contra um homem que canta na miséria.”

Ernesto Sábato, na Coyote 18

 



Escrito por Mara às 10h28
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Minha estupidez não me deixa crer...

O funcionário do Senado, nomeado por um dos atos secretos e que, de fato exerce a função de mordomo na casa de Roseana Sarney pela bagatela de dezenove mil reais por mês, atende pela alcunha de “Secreta”.

 



Escrito por Mara às 09h32
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                                                 Mais uma vez Djalma chega onde a imprensona nem alcança...

Lembro-me de um trecho do livro "Pergunte a quem conhece", do rapper Thaíde, onde o mesmo relata sua trajetória, e um determinado momento especial que se sucedeu em sua pré-adolescência. Thaíde nos remete a um dia de total letargia onde assistia televisão descompromissadamente em seu barraco, ao lado da família, quando inesperadamente surgiram na tela do humilde televisor, alguns negros americanos dançando uma dança esquisita (break), no programa do jornalista Goulart de Andrade. Desse dia em diante, passou a frequentar a estação do metrô "São Bento" em São Paulo, a imitar os dançarinos e a buscar avidamente mais informações sobre o hip-hop. Nunca mais parou, tornando-se um dos ícones da cultura periférica brasileira. Recordo-me deste fato porque foi de forma muito parecida que tive o mesmo contato inicial com o maior ídolo pop da minha geração. Tudo o que "apreendíamos" era através da televisão, numa remota pré-adolescência no interior paulista. Numa madrugada perdida, ainda criança, assiti a um filme melodramático, sobre a amizade de um garoto com um ratinho, só para ouvir a musica Ben de Michael Jackson. E, anos mais tarde - no início dos anos 80, surge aquele cara cantando afinadamente e dançando de forma surpreendente. Eram tempos pós "Panteras Negras", de uma incipiente fase do genuíno ritmo funk soul, com os concursos de equipes de danças, e posteriormente a chegada do break . Michael, de forma contundente, limpou, lustrou e agregou assepcia àquela irreverente maneira de expressão, transformando os vídeos-clipes (massantes e relegados a 2ª classe de divulgação) à arte final dos discos em vinil recém-lançados. Desde os 8 anos de idade, Michael dirigia seus irmãos na imperdível obra do grupo Jacksons Five, e no auge de sua carreira nos levou ao êxtase com trabalhos como Thriller, Beat it, Billie Jean, etc. Era também o autor da música We are The World, tema de um clip estrelado por vários artistas americanos. Sua obra e seu talento eram incontentáveis, e poderia ficar por horas citando genialidades do cantor, compositor e dançarino - que criava coreografias e não perdia o frescor da música negra contundente e contagiante.



Escrito por Mara às 09h30
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Para mim foi uma perda irreparável (não como força de expressão, pois todas as perdas são irreparáveis), mas com convicção de que certas figuras não deveriam sair do nosso meio nunca. Atentem-se para o paradoxo de que certas figuras tachadas como desajustadas, trazem o equilíbrio necessário para a nossa vida em sociedade. Particularmente, até me irritava com algumas declarações de Clodovil Hernandes, mas, em contrapartida, adorava quando ele - às vezes ingenuamente - dizia verdades que não temos coragem de dizer, ainda mais em plenário, como a irrefutável de que Maluf é ladrão. Renato Russo declarou em um momento de maturidade que viver nosso momento cultural era deveras pesado para ele, e nos deixou dezenas de reflexôes em forma de letras musicais. Cazuza levou uma curta, intensa e conturbada vida, e mais nos ajudou do que foi feliz, ao retirar por vezes o manto da hipocrisia que nos cobre e nos abafa. Como não associar os dramas pessoais de Jackson, com a questão do racismo, cruel e excludente, que canalhas não cansam de ignorá-la. A imprensa mundial desconstruiu a imagem do ídolo com inúmeras exposições de sua vida pessoal e suas excentricidades (a famosa bolha onde instalou-se por alguns dias; a tentativa de congelamento; as acusações de pedofilia; a mutilação do próprio corpo; os casamentos; os filhos; etc.), porém, não resvalaram na infância sofrida, na sociedade americana que avassala a vida dos mais sensíveis, que não têm tanta estrutura para suportar. Michael, não gostava de sua imagem, tinha obcessão por embranquecer sua pessoa, e segundo familiares, tinha dificuldade em olhar-se no espelho. Não era louco, e sim vítima de uma cultura de massa que cultua o branco, o clean. Talvez não tivesse a consciência que os anos 80 foram anos difíceis para afro-descendentes, e que sua música contribuiu muito para superá-los, e começar a resistência no início dos 90 com o rap do Racionais, Thaíde e suas consequências. Gilberto Gil cantou: "Bob Marley morreu, porque além de negro era judeu; Michael Jackson ainda resiste, porque além de branco ficou triste!" Não mais, Michael, descanse em paz! Um abraço!



Escrito por Mara às 09h28
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