
A moça mostrava a coxa, a moça mostrava a nádega, só não mostrava aquilo – concha, berilo, esmeralda – que se entreabre, quatrifólio, e encerrra o gozo mais lauto, aquela zona hiperbórea, misto de mel e de asfalto, porta hermética nos gonzos de zonzos sentidos presos, ara sem sangue de ofícios, a moça não me mostrava. E torturando-me, e virgem no desvairado recato que sucedia de chofre á visão dos seios claros, qua pulcra rosa preta como que se enovelava, crespa, intata, inacessível, abre-que-fecha-que-foge, e a fêmea, rindo, negava o que eu tanto lhe pedia, o que devia ser dado e mais que dado, comido.
Carlos Drummond de Andrade
A pintura é de Jean Auguste Dominique Ingres
Escrito por Mara às 13h52
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Em pleno clima de “festa da democracia”, li ontem no caderno Mais da Folha de São Paulo que o professor de literatura Oswaldo Martins Teixeira, foi demitido de um colégio particular no Rio de Janeiro sob a acusação de escrever e publicar poemas eróticos em seu blog.
O professor tem quatro livros publicados pela editora 7 Letras e desenvolve tese de doutorado na Universidade Federal Fluminense sobre o poeta, escritor e dramaturgo Pietro Aretino, detalhe, Aretino escrevia sonetos eróticos em pleno século XVI.
A tal escola cobra a bagatela de 1.161 reais por mês e tem como slogan uma escola que estimula a expansão cultural. Zé Simão tem razão quando diz que este é o país da piada pronta, pena que por vezes meu fígado não me permita achar a menor graça em certas coisas.
Essa é nossa elite, e essa nós não escolhemos por voto direto nem indireto vem guela abaixo. E há quem ainda acredite em liberdade de expressão, bá!
Escrito por Mara às 19h46
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