
Morreu ontem aos 81 anos um dos grandes porra loca desse planeta. Porra loca no sentido anos oitentistas do termo, que fique bem claro. Roberto Freire, o anarquista, não seu homônimo comunista. Lembro-me que certa vez, numa aula de ciência política na UEL, estava eu a ler Sem tesão não há solução, ignorando por completo o discurso reaça da profa. Maria Lucia Vitor Barbosa, quando esta olha para mim e dispara “minha filha esse cara é o último suspiro da menopausa do comunismo”. Claro que depois dessa eu não fiz a mínima questão de dizer que se tratava do anarquista e não do comunista, bobagem...
Meu primeiro contato com seus livros foi ainda na adolescência com Cléo e Daniel. Pirei naquela história que invertia toda a coisa mórbida de Romeu e Julieta e ao fim de tudo te dizia siga apaixonado se a paixão acabar continue seguindo. Depois vieram Coiote, Ame e dê Vexame, Utopia e Paixão, Sem Tesão não há Solução. Como bem definiu Célia Musilli “Na sua concepção anarquista, o tesão é um estado de espírito que extrapola o sentido sexual para adaptar-se a qualquer situação que nos dê prazer. Seu maior desejo era dar às pessoas as condições necessárias para que não se submetessem a regras que nos condicionam a agir como animais em rebanhos, sem vontade própria e expressão original. Em resumo, viver deve ser um ato criativo. Suas teorias libertárias fizeram a cabeça de algumas gerações embaladas pelas palavras de ordem: “Ame e dê vexame.” Para ele nunca existiu fórmula mais revolucionária do que o amor, sentimento pelo qual vale a pena correr todos os riscos.”
Arriscar era tudo o que nós oitentistas queríamos, e ainda queremos. Com a SOMA, terapia que ele criou, tomei contato em Londrina quando a convite do departamento de jornalismo da UEL ele passou uma semana fazendo umas oficinas com a gente. Que loucura...
Já faz um tempo que não pego seus livros, talvez hoje já nem tenha saco para relê-los ou não, mas isso nem é o que mais importa.
Escrito por Mara às 10h49
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