
Só por ter no elenco Paulo César Pereio, Selton Mello, Zé Celso Martinez Corrêa, José Dumont o filme já tem meio caminho andado comigo, mas Árido Movie vai muito além. Lirio Ferreira nos faz viajar por aqueles velhos (mas não superados) dilemas pindorâmicos: somos feudais, modernos, contemporâneos ou só pecamos sem culpa embaixo do sol?
É claro que somos tudo isso ao mesmo tempo agora, até aí nenhuma grande novidade pra um país miscigenado que reúne Suíça e Somália no mesmo cartão postal. O que mais pega em Árido Movie é a maneira a um só tempo sutil e atormentadora com que as pás superpostas de cal no nosso melting point vão caindo uma a uma até que só reste nós mesmos, pelados, vestidos, beatos, pós-modernos, bregas, incrédulos, sanguinários, festivos e tantos outros opostos que descaradamente vão se intercomplementando sem o menor pudor. Atente para a forma como o nome do posto de Zé Elétrico é grafado.
A trilha sonora de Berna Ceppas, Kassin, Otto e Pupilo compõe o mosaico Recife, São Paulo, Rocha, Idade Média, infoespaço, Beathes, Márcio Greique e Renato e seus Blue Caps.
Como diz o personagem de Zé Celso: “minha filha isso aqui é e não é, mas está sendo.”

Escrito por Mara às 14h29
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