Lado B


 

                                                               

                               

Já falei aqui da minha relação anárquica com filmes e livros. A coisa se dá mais ou menos assim, por algum motivo, causa ou circunstância que não passam necessariamente pelo calendário das estréias imperdíveis ou lista dos mais-mais (às vezes acontece, afinal a relação é anárquica) eles caem em minhas mãos e a coisa toda rola.

Claro que existe nisso tudo alguns pressupostos como JACK NICHOLSON. Ele é neurastênico, prepotente, patético, putz... irresistível. Mesmo quando o filme é meia-boca vale por ele. Mas não é o caso de AS CONFISSÕES DE SCHMIDT. Gosto de boas histórias e gosto mais ainda quando o roteirista se toca que cinema é contar uma boa história. Não reinventar a roda, mas te fazer viajar numa trama simples e complexa, daquelas que você para e diz: caraca tem tudo a ver.  

     Que diferença afinal fazemos nessa vida? Que importância têm as coisas que dizemos, as reuniões que participamos, o dinheiro que tentamos guardar (taí uma coisa que eu nem tento); as filas que pacientemente enfrentamos?

     Ao fim e ao cabo, escrever confere sentido a nós e a tudo.

 

 



Escrito por Mara às 20h01
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E Chacal postou...

 

narrar um assassinato é quase tão

difícil como dizer que te amo

como falar do sangue que se esvai ou

vc cantarolando numa aléia do horto de vestido florido

como descrever o terror dos olhos e o grito sequelado ou

vc vendo tv de calcinha de algodão

ou como dizer da arma ainda quente ou

seu corpo mole na cama

essas coisas do amor e do ódio

são impossíveis de narrar.

Chacal

 



Escrito por Mara às 10h26
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E Fernanda D’Umbra postou...

LIQUIDAÇÃO

A tranqüilidade custa muito caro. A mim custou todo o resto. Não queria que fosse assim. Queria que fosse assim: eu e você, sem um monte de gente no armário. Como era. Como podia ter sido, se não fosse tão confuso. Se eu não tivesse me atrapalhado, se você não tivesse se atrapalhado. Se a tranqüilidade de sair por aí à disposição da tranqüilidade de se sair por aí para ter cada vez mais tranqüilidade de sair por aí não tivesse tirado a gente daquele lugar intranqüilo, mas cheio de amor verdadeiro. Onde se lê amor verdadeiro, hoje em dia leia-se "babaquice sem fim de gente atrasada que não sabe que o que pega agora é ser transfodona". Não sou isso. Não vejo vantagem em ser essa merda. O que eu sou hoje, é motivo de piada em qualquer chá das cinco. Mas eu prefiro isso, eu prefiro. Riam. Eu sinto saudade. Que riam ainda mais.

Fernanda D’Umbra



Escrito por Mara às 10h25
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E o velho lobo postou...

 

 

OS DOIS

 

Eles eram dois

Mas nem sabiam que eram dois

pois os dois eram sozinhos

e se sentiam assim

sozinhos

os dois

Às vezes ficavam abraçados

testemunhando enchentes

e dividiam segredos

e riam das bobagens um do outro

e telefonavam sempre

um para o outro

só numas de ouvirem

a voz

um do outro

Eles não eram felizes

E falavam alto nos bares

E contavam histórias estapafúrdias

os dois

Se encontravam

no meio de tanta gente

Eles sempre se encontravam

e sorriam tímidos um para o outro

porque eram sozinhos

os dois

e por um momento já não era tão assim

eles eram quase dois

mesmo sozinhos

assistindo filmes de madrugada

e pegando no sono

abraçando almofadas

sozinhos

bêbados

tomando comprimidos pra dormir

aviltados com a publicidade

que cercava a solidão dos dois

E eles queriam fugir

E ele queria entrar dentro dela

e ficar lá o resto de sua vida

não pra ser um

mas pra ser dois

definitivamente

de uma vez por todas

os dois.

Mário Bortolotto



Escrito por Mara às 10h24
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                                                                                   Blog Tour...

                                                  

E Mr. Shiraga postou...

casa comigo que te faço a pessoa
mais feliz do mundo. A mais linda,
a mais amada, respeitada, cuidada.
a mais bem comida. E a pessoa mais
namorada do mundo e a mais casada.
E a mais festas, viagens, jantares.
casa comigo que te faço a pessoa mais
realizada profissionalmente. E a mais
grávida e a mais mãe. E a pessoa
mais primeiras discussões. A pessoa
mais novas brigas e as discussões
de sempre. Casa comigo que te faço
a pessoa mais separada do mundo. Te
faço a pessoa mais solitária com
filho para criar do mundo. A pessoa
mais foi ao fundo do poço e dá a
volta por cima de todas. A mais reconstruiu
sua vida. A mais conheceu uma nova
pessoa, a mais se apaixonou novamente.
casa comigo que te faço a pessoa
mais casa comigo que te faço a
pessoa mais “casa comigo que te
faço a pessoa mais feliz do mundo”.


“casa comigo”; Michael Melamed

 

                                                

 

 

 

                          


 



Escrito por Mara às 10h18
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Meu nome não é Johnny!

Segunda-feira, noite chuvosa, perfeito... Sigo rumo ao cinema.

Última sessão. Abasteço-me de pipoca com pimenta e me entrego à poltrona.

 O filme começa a rolar na tela e de cara a trilha e os cortes, na

 Medida, leva ao período e ao contexto onde a trama toda se passa sem aquela coisa de voz em off (narrador onisciente) a te conduzir pelos caminhos.

 A frase do início me incomoda, o tal do “baseado em fatos reais” e digo logo por que. Tudo bem que o filme veio do livro, que veio da vida do protagonista em questão, mas cinema é cinema não é realidade. Existe todo um conjunto de elementos tanto na enunciação (roteiro, fotografia, figurino, interpretação, música, edição,etc.), quanto na recepção (quem vê, assiste, recebe e resignifica toda a história), que se perdem como se houvesse uma “realidade” soberana ao próprio filme. Isso leva àquela paranóia toda do “Capitão Nascimento” do Tropa de Elite ser convertido em herói de carne, osso e alma justiceira.

A opção de Mariza Leão e Mauro Lima por um roteiro leve, simples em sua sofisticação acertou em cheio. As tiradas inteligentes, o sarcasmo quase espontâneo, a dor discreta do protagonista encontra abrigo perfeito em Selton Mello, puta ator... Destaque também para Julia Lemmertz que faz a mãe na medida exata.

Concordo com a fala da juíza de que o direito não é uma ciência exata, mas fico cá ruminando com meus botões pernósticos, será que se o tal João Guilherme fosse um neguinho mal nutrido e mal cheiroso, de fala gutural, oriundo da favela sua pena teria sido, para os fatos em questão, tão branda? Teria ela a mesma crença na recuperação de jovens criminosos?

 

 

 

 



Escrito por Mara às 12h04
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E o querido Márcio Américo postou em seu blog...

  Vasculhando os bolsos do inconsciente
encontrei
entre traumas amassados
e tramas insólitas
um poema inacabado
com frases óbvias
clichês panfletários
de um coração incendiário
de uma alma guerreira
bêbada de vida e morte
um poema apresentando sinais óbvios de senilidade
adjetivos reumáticos
substantivos anacrônicos
sujeitos ocultos, ranhetas
vasculhando os bolsos do insconsciente
encontrei entre traumas e tramas
eu
mofado
dobrado
e grafado em frases irônicas de um poema ginasiano
talvez eu fosse só isto
um ginasiano sacana
com o coração boiando em péssimos sonetos

(M.A. 1998)

 



Escrito por Mara às 10h00
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