Sou dessas que defendem a confraria, que saí na mão nas mãos com amigos de fino trago e risadas fartas. Sou dessas que botam a boca no trombone por um bom texto e esse aí de baixo é bom pra caramba!
ANTÍDOTO
Ela desenha corações no meu bloco de anotações...
Tento parecer imundo, pra viver no vasto mundo;
duro, vil, oportunista, esperto, capitalista.
Prá passear de mão dada, prá suprir, não faltar nada
construir quatro paredes, prá comer, matar a sede
de consumo, dar um rumo à vida despedaçada.
Prá juntar a molecada, ser parente, ir pra frente,
prá pagar a rezadeira, prá olhar para o horizonte,
jogar moeda na fonte, prá me fazer de rogado.
Prá poder andar ao lado com essas coisas do progresso,
prá poder comprar ingresso, e sair só para ver gente.
Aparecer, sentar na frente, prá comer com abundância,
sem temer, sem sentir ânsia, da pequenez dessa vida.
Das regras de sobrevivência, prá fazer muita indecência,
no calor do nosso leito, sem sentir um frio no peito,
pensamento dividido, o problema mal resolvido.
Ter um lar, fazer assento, aonde a gente quiser.
Levar uma vida de nobre, dar o excesso para os pobres,
prá aliviar a consciência, caminhar com leniência,
E parar prá ver o signo, ter um nome limpo e digno,
poder comprar no comércio, sem pensar na inadimplência,
Esquecer o que é carência, prá cuidar da Beatriz,
parecer gente feliz, esquecer da loteria,
prá gostar do dia-a-dia, sem vontade de dormir,
aproveitar o bom da vida, ver a casca na ferida,
que outrora não cicatrizava, prá planejar a viagem,
prá ficar de vadiagem, e poder fitar o sol,
prá assistir ao voleibol, segunda de madrugada,
prá te ver dando risada, caçoando dessa gente,
que só vê tristeza em tudo, você falante e eu mudo,
gozando do sal da vida,
mas ela desenha corações no meu bloco de anotações...
Djalma
Escrito por Mara às 11h58
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|