Mais vale um pobre na mão que dois roubando...
Não me atenho muito a calendários. Em parte porque moro numa cidade do interior, por outra porque gosto de pensar que as coisas que me interessam acabam por me despertar, por si mesmas. Quando adolescente tinha a mania de ir até a biblioteca municipal da minha cidade e andar entre as prateleiras até que algum livro “me escolhesse”. Foi assim que li meu primeiro Bukowisk...
Pois bem dia desses “Vale quanto pesa ou é por quilo?” do Sérgio Bianchi caiu nas minhas mãos. Confesso que não foi difícil leva-lo pra casa já que curto muito o trabalho do Bianchi. Chapante (pra usar uma expressão da minha que fal aos meus ossos cansados); eu tinha uma inquietação, quase uma antipatia por essa estória de ONGs que “cuidam” dos pobres, muito vezes chegava a pensar: “putz, o quanto você é insensível, essas pessoas doam parte de suas vidas em prol dos desafurtunados...”
Sérgio mata a pau! A miséria dá muito lucro. Até aí nenhuma grande novidade, o lance está no jeito sarcástico que o cara conta a estória.
Quando identifiquei o lance do conto do Machado de Assis “Pai contra Mãe”, que o cara teve as manhas de trazer pro século XXI sem nenhuma cerimônia e com uma puta competência... Chapante...
Escrito por Mara às 19h47
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