
Caras durões tem mulheres resignadas. Caras problemáticos sempre têm ao seu lado mulheres dóceis. Mulheres que choram sozinhas numa cama queen size, que contemplam a mesa posta em sua ausência. Caras problemáticos sempre voltam pra casa e encontram mulheres que atiram coisas nas paredes, que quebram brinquedos e velhas lembranças e choram e perdoam. Caras idiossincráticos acabam engatados com garotas saudáveis, de olhos tristes e mãos que afagam a fúria antes da tempestade. Mulheres de caras durões sabem tomar o controle da nau antes do naufrágio iminente.
Caras durões arriscam o pescoço por nada e no momento final lembram-se de suas garotas belas e de corações sublimes e recuam antes do disparo. Caras problemáticos deixam o demônio na mão, desfazem pactos satânicos e ouvem blues, sozinhos, em bares estranhos, amando em silêncio aquela garota que está sentada ao lado do telefone.
Caras durões sempre se arrependem do que dizem a estas garotas. Caras durões escrevem poemas melosos em guardanapos de papel na esperança de que elas leiam e perdoem. Elas sempre perdoam. Somente garotas como estas podem ver o cara durão acordar assombrado no meio da madrugada, rezando pra um deus morto, olhando o teto, vendo fantasmas sob a cama, pedindo socorro e chorando feito bebês. Caras deste naipe, no fim das contas, gostam mesmo é de estar em casa, abraçado às suas donas, assistindo desenhos animados e fazendo promessas novas.
Caras durões choram por mulheres assim. Caras durões estão sempre voltando pra casa por causa de mulheres deste naipe.
Márcio Américo
Escrito por Mara às 09h14
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