UM MINUTO PARA OS NOSSOS COMERCIAIS
Óbvio: cada um tem suas opiniões. Cada um pensa o que quer (ou o que pode). Agora: me impressiona o fogo cerrado contra Lula. Nunca vi, em toda a minha vida, artilharia tão pesada quanto agora. Alguém aí viu? Nunca vi tanto ódio (não foi exatamente esse o termo que Lima Duarte usou em sua entrevista na Folha de São Paulo de domingo?). E diziam que a esquerda é que era raivosa. Acontece que os fodões (PSDB e PFL) que sempre mandaram nesse país não se conformam com alguém de centro-esquerda no Poder — sim, porque o PT não é totalmente de esquerda há muito tempo. Nem isso os caras se conformam. Eles querem continuar sugando o nosso sangue, gota a gota. Não se esqueçam que quem está sentando o pau é FHC — que transformou em mercado o que antes se chamava de país e migrou da esquerda, se é que algum dia foi realmente de esquerda, para o centro-direita —, Alckmin — meu Deus, um reaça da Opus Dei, travestido de bom-mocinho, o que é ainda pior — e ACM — um santo homem, como todo mundo sabe, não é? A cambada do PSDB fala em crescimento da economia. Crescimento para quem? Era o mesmo que Delfim Neto falava durante a ditadura mais pesada: primeiro o bolo precisa crescer, para depois dividir. Há 500 anos falam a mesma coisa e nunca dividiram porra nenhuma. Que tal em vez de crescer, dividir melhor? Ah, isso os caras não querem. Nem fodendo. Eles querem continuar sugando o sangue da juventude, torcendo os fodidos até virar bagaço, metendo bala se for preciso e mantendo os privilégios da corte puxasaco, incluindo aí muitos e muitos artistas do primeiríssimo escalão. O que 8 anos de governo do PSDB fez pela cultura no Estado de São Paulo? Há alguma lei parecida com a de Fomento ao Teatro? Não, tem a Sala São Paulo, para os ricaços mostrarem suas jóias diante da turba de fodidos da crackolândia. Tem muita bandidagem? Ah, metam esses desgraçados na Febem e abram mais penitenciárias no Interior. E a imprensa não dá uma linha sobre as universidades públicas que Lula está abrindo Brasil afora — em vez de penitenciárias. Não dá uma linha sobre os 112 mil alunos pobres que o Governo está pagando para estudarem nas universidades particulares. Não dá. Mesmo com todas as cagadas do governo Lula, ainda é uma possibilidade de mudança nesse país de coronéis — basta ver a aceitação que tem entre os mais fodidos. Mas os fodões não querem mudança nenhuma e jogam pesado, brothers and sisters. Muito pesado. E esse ano os vampiros de sempre vão querer sangue. Muito sangue.
Ademir Assunção
Escrito por Mara às 08h00
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Para as mulheres da minha vida: Jaqueline Bortolotto e Váléria Victorio.
“Com as perdas só há um jeito
perdê-las.
Com os ganhos
o proveito é saborear cada um
como uma fruta boa da estação.
A vida como um pensamento,
corre à frente dos relógios.
O ritmo das águas indica o roteiro
e me oferece um papel:
abrir o coração como uma vela ao vento,
ou pagar sempre a conta já vencida.”
Lya Luft
Escrito por Mara às 18h44
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Hoje o caderno Mais! da Folha de São Paulo, trás dois artigos muito legais sobre o documentário “Falcão” do rapper MV Bill e do empresário Celso Athayde. A antropóloga Alba Zaluar e o filósofo Denis Lerrer Rosenfield chamam a atenção para a unilateralidade do discurso apresentado no documentário e a forma inexorável como a violência produzida pelo tráfico é colocada. Zaluar diz: sem apresentar dados novos, ‘Falcão’lança olhar terno sobre os pequenos traficantes, mas submerge na cultura do gueto e ignora os demais atores sociais...”
E Rosenfield arremata: “Onde estão os’ínvestidores’?Onde estão ‘os donos da firma’?Onde estão os grandes beneficiários desse negócio?A câmera não os encontrou? A câmera não os selecionou? Não têm eles responsabilidade naquilo que é qpresentado como um destino desses meninos (...) O narcotráfico só tem crescido, o que mostra a pujança de sua atividade e a ampliação do seu mercado consumidor. Apresentar a realidade como se o ‘crack’ e a ‘maconha’fossem principalmente consumidos pelos ‘falcões’é uma evidente falsificação da realidade, pois os verdadeiros consumidores são constituídos por pessoas abastadas, que podem pagar o alto preço da cocaína e outras drogas.”
Ambos afirmam que o documentário “Notícias de uma Guerra particular” de João Moreira Salles e Kátia Lund mostra a mesma ‘realidade’, porém dando voz aos vários ‘personagens’ envolvidos nessa história. Policiais, traficantes, consumidores etc
Escrito por Mara às 17h42
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