“Você nunca vai saber
se eu estou realmente sorrindo
ou se é o sol
que bate direto no meu rosto.”
Sérgio Mello
Escrito por Mara às 16h32
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Escrito por Mara às 22h25
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Penso que esse seja o único ( e melhor ) caminho
viável para a crise em que nos encontramos.
Contra os credores, contra a programação da TV,
as declarações bombásticas da VEJA, o “sucesso”
da Ivete Sangalo... Sigamos por esse caminho!
Escrito por Mara às 22h21
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De minha parte, eu ainda acredito em enterros. Acredito em "Blind Boys of Alabama" cantando com Ben Harper "There will be a light". Acredito em solidão em quartos vazios. Pode ser em Paris ou em Londrina. Não acredito em aniversários e não acredito em nariz de palhaço, mas acredito em amigos bebendo juntos até o sol nascer. Não acredito em ligações noturnas, mas até acredito em paciência e certa dose de ternura. Não acredito em sexo, mas acredito em fuga. Não acredito em sedução, mas acredito em recolhimento. Não acredito em santos de papel, mas acredito no Sermão da Montanha. Não acredito em amor, mas acredito em elegância e bondade. Não acredito em abdução, mas sei que o inferno está sempre por perto. Por isso mantenho o whisky na geladeira. E sei que isso só tem me prejudicado. Não acredito em "estar na pior". Eu acredito em seguir as instruções. Não acredito que amanhã as coisas vão melhorar. Eu só acredito em esparadrapo e suturação. Só acredito em melancolia e desolação. Não acredito nela dormindo no sofá-cama. Mas acredito sinceramente em "poder de sugestão". Quero muito que você me entenda que não acredito em "desejo", mas que existe, ah, isso não tenho a menor dúvida. Não acredito em "ordem e progresso", mas sei que ainda persisto por algumas horas. Ainda acredito em mim. De minha parte, eu ainda acredito em enterros. MÁRIO BORTOLOTTO
Escrito por Mara às 21h24
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ESSE POST É PORQUE TÔ COM UMA PUTA
SAUDADE DA MARIA FERNANDA VAZ PINTO COELHO!
Tenho arrumado os livros.
Tiro de uma prateleira sem ordem e coloco em outra
com ordem. Ficam espaços vazios.
Hora em hora.
Não tenho te dito nada.
Ligo para os outros.
O que eu poderia dizer é perigoso:certeza
(assim como eu disse: daqui dez anos estou de volta)
de que nos reencontramos, cedo ou tarde.
Mas não sei quando
Cedo ou tarde reencontro –
o ponto de partida.
ANA CRISTINA CÉSAR
Escrito por Mara às 22h50
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TALVEZ você seja só uma lutadora de maitai
a fim de levantar um capital
pra tatuar uma arara no peito
talvez eu me lembre de você daqui a trinta anos
e da sua crise de choro
ao relembrar uma antiga lavanderia que entregava de moto
talvez você consiga acabar com a minha raça
e eu aceite tudo sorrindo
desde que seja com a mão dentro da sua blusa
ou talvez você seja só a porra da vida
querendo me arrancar um poema novo SÉRGIO DE MELLO
Escrito por Mara às 22h39
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Eu do avesso
Este meu lado de dentro não combina com meu lado de fora. Nasci na contramão da certeza. Por isso, um dia um amigo disse que havia outra mulher dentro de mim. Eu respondi distraída: “É que você vê meu miolo.” Ele riu e não disse mais nada. Passaram anos, este amigo atravessou o oceano, mas aquele fio de conversa virou uma meada na minha cabeça, onde tudo cresce. Então descobri em mim uma mulher pacífica e outra tiririca de ruim. Uma angelical, outra que rebola. Uma que se aquieta num canto, outra que dança rumba. Uma capaz de viver de dia, outra que só vive à noite. E pensei: “Mulher é como a lua”. Muda de fase quando a gente está quase se acostumando com ela, fica clarinha, clarinha ou escura de arrepiar.
Por isso, os que se chegam a mim estranham o olho gateado que faisca de repente e quando pensam que vou avançar, canto música de ciranda. Eu sou uma menininha que cresce em três tempos, se me provocarem. Eu tenho um pé na loucura. Um não, dois. No dia em que um cachorro me mordeu , retribui a gentileza e ele saiu ganindo de dar dó. Mas também sei miar pedindo colo e enrosco na perna do dono, porque meu lado de dentro não combina com meu lado de fora. Vivo uma vidinha espremida entre dois atos, controvertida e sem entregar de bandeja meus humores. Quem gostar de mim que me adivinhe, cansei de ser camarada. Tem gente que acha que camarada é besta. Hoje amarro minha sensibilidade num pavio...bem curto. E quando saio na porrada até os malandros me respeitam. Descobri que tenho corpo fechado. Minha loucura é meu escudo e minha fraqueza. Minha loucura é minha fantasia.
CÉLIA MUSILLI
Escrito por Mara às 14h04
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