TUNGADA DO BLOG DE ADEMIR ASSUNÇÃO
A ENTREVISTA DO MINISTRO GILBERTO GIL
Saiu uma entrevista com o ministro Gilberto Gil na revista CartaCapital (edição de 18 de janeiro). Muita boa. Eu sei que um ministro não pode dizer tudo o que se passa. Como um diretor teatral nunca diz tudo o que se passa nos bastidores. E, para um ministro, Gilberto Gil diz muito. Diz, por exemplo, porque as maiores críticas à atuação do Ministério da Cultura vem de caras que estão acostumados com polpudas verbas públicas há anos. Caras como Bruno Barreto, Marco Nanini, Gerald Thomas, Ferreira Gullar, Paula Lavigne (ex-mulher de Caetano Veloso). O próprio Gilberto Gil se incluiu no rol de privilegiados. Diz, textualmente: “os artistas consagrados e bem sucedidos não gostam de ser elencados na classe dominante, mas são. Nós somos classe dominante.” Diz, textualmente, que o ministério está procurando reescalonar os recursos, distribuindo melhor para artistas menos conhecidos, para regiões que nunca tiveram facilidades, etc... Está procurando criar políticas culturais de verdade, com critérios democráticos, editais públicos, etc... E isso incomoda os graúdos, porque significa menos dinheiro para eles.
Não tenho certeza se esta redistribuição está acontecendo de fato. Espero que sim. No cinema, parece evidente. Em outras áreas, não sei.
Eu gostaria que os escritores tivessem mais consciência disso. E aumentassem a voz. Porque, no caso da literatura, as coisas não estão rolando em consonância com o que diz o ministro Gilberto Gil na entrevista. Há alguma dissonância. No caso da literatura, o que está sendo discutido é o livro. E o livro é algo da alçada da indústria editorial. Quer dizer, no caso da literatura, o que está sendo discutido é a indústria editorial. Os planos para a criação de uma política de leitura são muito bem intencionados. Mas interessam, claro, à indústria, que quer vender mais e mais e mais livros. Nada contra. Mas já disse e repito: a discussão da indústria editorial é da alçada do Ministério da Indústria e Comércio. No Ministério da Cultura se deveria discutir políticas para a literatura e leitura (com os dois pólos incluídos: escritores e leitores). E isso não está acontecendo. Já disse e repeti isso várias vezes em reuniões com membros da equipe do Ministério. Ouviram. Mas parece que entrou por um ouvido e saiu pelo outro. E o descontentamento está crescendo.
Vou falar mais uma vez: os escritores, novamente, estão ficando a margem. É um erro histórico dentro do esforço de criação de uma Política Cultural de verdade.
Escrito por Mara às 11h36
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Vontade de que tudo
em mim seja preenchido,
ocupado...
Que não sobrem espaços vazios,
Passado, presente e mais além.
Por vezes fico assim
querendo tudo
sem fragmentos,
sem remendos,
sem arremedos...
( Mara)
Escrito por Mara às 14h54
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três mulheres sós santamaria
a mulher só - I
Chegou em casa, pendurou a bolsa, tirou os sapatos e demitiu-se da vida.
a mulher só - II
Deitada no banco frio a noite estrelada foi o seu manto quente.
a mulher só - III
Antes de fechar os olhos, beijou com despedida todos os seus fantasmas.
Escrito por Mara às 14h00
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