Lado B




Escrito por Mara às 15h00
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“À falta da pessoa

hoje amarei a ausência também do sentimento antigo

e lembrarei que os dias já foram azuis

e as noites somente escuras quando desconhecíamos

a palavra medo.

Amarei o antigo sentimento de ternura casta, palpável,

àquele tempo, em mim,

distribuída entre os aposentos da casa enorme, os três degraus

da entrada

o sol nascendo pelos punhos da rede e o muro

do colégio das freiras, quanto.

(Que estas lembranças me bastam).

                                                TORQUATO NETO

                               

 



Escrito por Mara às 09h16
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Esse poema  vai pra Maria Fernanda Coelho. Tremenda atriz que um dia insanamente topou dirigir um bando de universitários porra loca que queriam fazer teatro. Fer saudade de sentar pra beber com você no Jota e ouvir suas estórias hilariantemente absurdas. Saudade do teu humor ácido e sua risada escrachada.

 

Enquanto faço verso, tu decerto vives.

Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue. Dirás que sangue é o não teres teu ouro.

E o poeta te diz: compra o teu tempo

contempla o teu viver que corre, escuta o teu ouro de dentro.

É outro o amarelo que te falo.

Enquanto faço verso, tu que não me lês, sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.

O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas: “meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas.”

Irmão do meu momento: quando eu morrer uma coisa infinita também morre. É difícil dize-lo: morre o amor de um poeta.

E isso é tanto, que o teu ouro não compra, e tão raro, que o mínimo pedaço de tão vasto

não cabe no meu canto.

                                                  ( Hilda Hilst )



Escrito por Mara às 23h21
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Do livro “No banheiro um espelho quebrado”  de Sérgio Mello.

 

“ Eu vou te esperar sempre

sentado numa estação desativada ao lado da bilheteria

usando um cachecol com as cores da bandeira jamaicana

até que um dia ouvirei o doce ruído das hélices

até que um dia conseguirei abrir o guarda-chuva e lá estará

você acenando num velho Kadet enlameado

dizendo que mudou de idéia.”

      

Escrito por Mara às 17h11
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De manhã escureço.

De dia tardo.

De tarde anoiteço

de noite ardo.

A oeste a morte

contra quem vivo.

Do sul cativo

o oeste é meu norte.

Os outros que contem

passo por passo:

eu morro ontem

nasço amanhã

ando por onde há espaço

meu tempo é quando.

 



Escrito por Mara às 14h29
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O mundo a minha volta é uma coisa disforme, mas eu comprei fósforos e posso incendiar todos esses conceitos. Não tenho razão em muitas das coisas que faço, mas também não carrego nenhuma tábua de salvação escrita por quem quer que seja. Não tenho colete a prova de balas, nem QI de 150. Sou um cara que pode andar na rua sem que ninguém me reconheça, e isso eu considero um privilégio. Eu sou alguma coisa próxima de você quando comemos cachorros quentes às três e meia da manhã e temos planos de enforcar o trabalho em nome de um bom sono.

Eu martelo na cama tentando sonhar, eu martelo as três da tarde tentando não fechar os olhos, eu martelo com meu pau dentro de você a noite inteira e tem o dia seguinte pela frente. Estamos a 150 km por hora e a estrada agora só tem retas, mas eu sei que vai aparecer uma curva por aí a frente, uma curva que vai mudar tudo, pra mim e pra você. Talvez a gente nasça de novo, talvez eu consiga contornar com os pneus derrapando e a mureta que nos separa do abismo só risque um pouco o para lamas. Talvez a gente descubra o que tem lá no fundo do abismo e de nós mesmos

                                                                  RUBENS K



Escrito por Mara às 14h10
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muitas

poucas

 gordas demais

magras demais

ou nenhuma.

 riso

ou lágrimas

 as que odeiam

as que amam

 estranhas com rostos como

as costas

das tachinhas

 exércitos correndo por

ruas de sangue

acenando com garrafas de vinho

ferindo e fodendo

virgens.

 ou um cara velho em um quarto barato

com uma fotografia de M. Monroe.

 



Escrito por Mara às 17h05
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há uma solidão tão grande nesse mundo

que você pode vê-la no lento movimento

dos ponteiros do relógio.

 pessoas tão cansadas

mutiladas

tanto por amor ou não amor.

 pessoas realmente não são boas umas com as outras

mesmo entre si

os ricos não são bons com os ricos.

os pobres não são bons com os pobres.

 nós temos medo.

 nosso sistema educacional diz

que todos podemos ser

vencedores bundões.

 ele não nos diz

sobre os miseráveis

ou os suicidas.

 ou do pavor de uma pessoa

sentindo dor num lugar

sozinha

 intocada

incomunicável

 regando uma planta.

Pessoas não são boas umas com as outras.



Escrito por Mara às 17h03
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 pessoas realmente não são boas umas com as outras

mesmo entre si

os ricos não são bons com os ricos.

os pobres não são bons com os pobres.

 nós temos medo.

 nosso sistema educacional diz

que todos podemos ser

vencedores bundões.

 ele não nos diz

sobre os miseráveis

ou os suicidas.

 ou do pavor de uma pessoa

sentindo dor num lugar

sozinha

 intocada

incomunicável

 regando uma planta.

Pessoas não são boas umas com as outras.

Pessoas não são boas umas com as outras.

acho que elas nunca serão.

eu não peço para elas serem.

mas às vezes penso sobre

isso.

 os terços irão balançar               (Continua!)



Escrito por Mara às 16h59
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as nuvens irão nublar

e o assassino irá decapitar a criança

como se desse uma mordida num sorvete de casquinha.

 muitas

poucas

 gordas demais

magras demais

ou nenhuma.

 mais as que odeiam do que as que amam.

 pessoas não são boas umas com as outras.

talvez se elas fossem

nossas mortes não seriam tão tristes.

 enquanto isso eu olho para as pernas

de menininhas

possibilidade de flores.

 deve haver um jeito.

 com certeza deve haver um jeito que ainda não

pensamos.

quem pôs esse cérebro em mim?

 ele grita

ele exige

ele diz que há uma possibilidade.

 ele não irá dizer

“não.”

  Charles Bukowski

Tradução: Fernando Koproski

No livro Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo, amém



Escrito por Mara às 16h57
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