Esse poema vai pra Maria Fernanda Coelho. Tremenda atriz que um dia insanamente topou dirigir um bando de universitários porra loca que queriam fazer teatro. Fer saudade de sentar pra beber com você no Jota e ouvir suas estórias hilariantemente absurdas. Saudade do teu humor ácido e sua risada escrachada.
Enquanto faço verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue. Dirás que sangue é o não teres teu ouro.
E o poeta te diz: compra o teu tempo
contempla o teu viver que corre, escuta o teu ouro de dentro.
É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço verso, tu que não me lês, sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas: “meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas.”
Irmão do meu momento: quando eu morrer uma coisa infinita também morre. É difícil dize-lo: morre o amor de um poeta.
E isso é tanto, que o teu ouro não compra, e tão raro, que o mínimo pedaço de tão vasto
não cabe no meu canto.
( Hilda Hilst )
Escrito por Mara às 23h21
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