Lado B


                  PERVERSÕES SEXUAIS E OUTRAS DELÍCIAS (OUTRASLETRAS EDITORA) É O NOME DO LIVRO

                  QUE MEU AMIGO OLIVER JOGOU NA MINHA MÃO ESSA SEMANA. LI NUMA TARDE E VIAJEI POR DIAS. OS CONTOS SÃO ACACHAPANTES.

                  REPRODUZO AQUI UM TRECHO DO PREFÁCIO DO LIVRO PRA VOCÊS TEREM UMA IDÉIA.

                

“Os falsos moralistas querem nos fazer crer que sexo não é importante. Para tanto, limitam sua esfera pouco além da fisiologia. Reconhecem a existência  do sexo, afinal devem a própria existência a um processo sexual e erótico ocorrido entre seus pais, mas negam terminantemente que sua expressão artística ou literária ultrapasse a metáfora. Desvirginar? Nem pensar. Melhor será escolher forma narrativa que se aproxime de “colher flor de sua virtude”. O uso do verbo “foder”, em priscas eras uma expressão de origem latina que significava fazer aliança, foi anatemizado. Caso não carregássemos a pesada carga neurótica em nossa linguagem, criada e alimentada pela repressão sexual, quando alguém exclamasse “vá se foder”, retrucaríamos alegres: “você também, sua mãe, sua tia, toda sua família, que se fodam, viu?”

            Pois é nesse contexto que se movem as personagens de Jorge Brennand Jr. O provecto e sisudo juiz que quer manter relações sexuais com uma adolescente impúbere. Um cidadão de aparência acima de qualquer suspeita pergunta a mulheres desconhecidas onde fica a rua tal. Diante da resposta, seja qual for, ele mostra os genitais e pergunta se elas conhecem o que está mostrando. Ganham relevo nessa segunda narrativa os lugares de seu prazer: a exibição e o registro no caderno apropriado. Mas quando uma delas não se escandaliza e sobretudo não foge de sua presença, ele fracassa. “Se não era pra olhar porque mostrou?” “A cruel estaca de madeira perfura meu coração sem piedade, é o fim do Vingador.” “O vampiro morre se decompondo ao sol”.

                                                             Deonísio da Silva

                 



Escrito por Mara às 16h03
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   Tunguei esse post do blog do meu amigo Mário Bortolotto porque ele tá dizendo muito do que eu gostaria de dizer nesse momento e tenho dito!

         

Eu não acredito em você. Vi o Bob Dylan gritando isso pra uma platéia de ingleses malas que o chamavam de “traidor”. Eu acredito em ressonância. Tenho acreditado muito nisso. E não acredito em gente que acha que sabe o que eu tô sentindo. E que se aproximam de mim com seus diagnósticos rasteiros, mas cheios de verdade. Me movo com certa agressividade, mas sem querer esbarrar em ninguém, sacou? Não quero dar minha opinião sobre nada. Ando cansado disso. Então porque é tão importante pra alguém saber se eu gostei ou não do seu espetáculo? Eu não acho a minha opinião realmente importante, então porque me sinto compelido a falar, se só consigo me admirar quando fico realmente quieto no meu canto, alheio ao engalfinhamento. Prefiro amparar meu amigo Mirisola completamente bêbado no meu ombro e ficar curtindo ele mandando todo mundo tomar no cu. Prefiro mostrar pro Nelson Brito que “Chato” não é só força de expressão, e assim evitar que o meu amigo Paulão encha ele de porrada. Prefiro noites sinceras de quase esperança num boteco de esquina, e manhãs amenas com quem me acolhe sem fazer muitas perguntas, tanto faz se um bêbado de esquina ou uma garota linda. A solidão se expressa das maneiras mais doces. Prefiro quando não tratam meus amigos como “junkies” e “bêbados”, da maneira pejorativa e cheia de condescendência que sempre tratam. Eles sempre foram muito mais do que isso, e não precisam de nenhuma condescendência. Então deixa eu dizer que também não acredito em você. Eu acredito em poucas coisas. Talvez em Gregory Corso (que era um grande mentiroso) ou no Gato Garfield. Um pouco em bárbaros nas portas de Roma. Eu acredito mesmo é em ressonância. Eu falo o tempo todo sobre isso. Então porque alguém ainda quer minha opinião sobre a situação política mundial? Enfiem uma bomba no rabo e me deixem em paz com meus livrinhos de poesia e meus blues rabiscados em cadernetas. Eu não acredito em nada dessa merda, e também não acredito em você. E não adianta me chamar de traidor. Sua indulgência cretina não me comove. Eu vi Bob Dylan vociferando com a turba de imbecis e vi o bêbado de manhã dançando uma rumba clown no meio da Dr. Arnaldo. E não me senti sozinho e nem triste, exatamente. Nunca senti inveja de ninguém e sei que pelo menos essa porta tá fechada pra mim no purgatório, então porque as pessoas acham que sabem o que eu tô sentindo? Me fale de ressonância que eu te pago um conhaque. Me fale de abismos e a madrugada vai ficar pequena. Mas não venha me diagnosticar. Nunca acreditei em psicólogos e acho que Freud tinha mais era que tomar no cu, junto com todas as cartomantes e pais de santo. Não quero ouvir previsões de “começo de ano” nem lendas nórdicas. Minha cabeça é um aríete nas portas de Roma. Não vou colocar fogo nessa festa. Vou sim achar um lugar sossegado pra fugir do espetáculo. Vocês não queriam um epitáfio? Então vou dizer: Nunca acreditei em você. Em vocês. Tenho poucos planos. Tomar umas com o Reinaldão logo mais na Daspu da Consolação. Aparecer no lançamento da Del Fuego. Tentar me manter mais próximo da calçada e longe do engalfinhamento. Não tenho plano nenhum. Acho que “quarta-feira” tá longe pra caralho e bons amigos ainda me ligam às 4h30 da madrugada. Não acredito em igrejas e cofres. Mas acredito que gentilezas podem matar. Acredito em Marcos Prado dizendo que “no fim quem vence sempre é o agente funerário”. Tenham um bom dia, se conseguem acreditar em meteorologia. Eles tinham mais é que ficar estudando os meteoros, não era não? Nunca tinha pensado nisso.

                 Mário Bortolotto



Escrito por Mara às 22h31
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Tem dias que nasço homem:

berro palavrões,

xingo no trânsito

bato portas

me embriago nos bares

me emputeço.

Tem dias que nasço mulher:

Esqueço.

                                        (Dupla Cidadania- Leila Míccolis)

 



Escrito por Mara às 19h44
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Nada me acalma

só a ponta da tua vara,

a preencher meus vãos.

Nada me atiça

  tua língua

percorrendo meus caminhos obscuros,

 meus bueiros,

meus canais...

Nada me comove

só tuas mãos

me botando de quatro,

me livrando do lugar comum.

                               



Escrito por Mara às 14h57
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Vai ver não era bem isso

Entre um trago e um compromisso

Um dia eu te peço um beijo

tem dias que eu não acredito

Meu olho chupa teu solriso:

boca de mel, olhos de lince

um dia chegaremos no início.

Vai ver que um dia a gente ainda

Ouça assim: “é tão simples”

Quem sabe um dia a gente ainda vire cúmplices.

Assim já dá pra ver como tudo fica

Quem sabe tudo isso nos significa.

Vai ver era só o néon do utono

com seus clips

o sol batendo firme num livro dos beats.

Trazes teus truques, musa em transe-

Zoom na lua chique;

Clic, plugue, ligue.

                                 Rodrigo Garcia Lopes

 



Escrito por Mara às 23h01
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