Baby i’m so alone
Vamos pra Babylon
Viver a pão-de-ló e moet chandon
Comprar o que houver, au revoir ralé
Finesse s’il vous plait mon dieu je t’aime glomour(…)
Vem ser feliz ao lado desse bom vivant
Champanhe, caviar, scotch escargo rayban bye bye misere
Minha religião é o prazer.
Não tenho dinheiro pra bancar a minha droga
Não tenho dinheiro pra pagar a minha ioga
Cansei de ser duro vou botar minha alma a venda
Quero ser caçador ando cansado de ser caça...
( Zeca Baleiro)
Escrito por Mara às 01h30
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Pelo fio do pensamento
Entrei por onde não tem volta
Por onde não se solta.
Se tua boca beija,
Se teu pau entra,
Se teu corpo sua,
É aí que estou.
Entrei por onde não tem portas.
Se teu braço enreda,
Se tuas Mãos apertam,
Se tuas pernas enroscam,
Sou eu quem vou
Sou eu quem estou.
Entrei por onde não se pode trancar;
pelo fio do pensamento...
por isso te atormento,
por isso vim pra ficar.
Mara
Escrito por Mara às 00h43
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você gastou tempo e perícia
pra que eu ficasse apaixonado
mas tropeçou em tanta astúcia
e seu charme piscou o olho errado
depois fumou todo o meu cigarro
roubou meu isqueiro roubado
bateu a porta e o carro
e eu continuei ali sentado
outro dia chegou pelo correio
sua orelha e um pulso cortado
meu bem, te reconheci pelo cheiro
mas não fiquei preocupado
só saí e comprei um revólver –
baby, eu não queria andar armado
mas sua estupidez não lhe deixa ver
que eu não quero ser seu namorado
(Marcos Prado)
Escrito por Mara às 14h27
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Não tem nenhuma originalidade nesse jogo
de gato e rato, a não ser que compartilhemos
o lixo. Podemos deitar e rolar pelos atrasos, má-impressões,
caixas eletrônicos e sirenes alucinadas, mas temos que desatar o nó do portão.
Cabelo cresce, unhas quebram, o medo espreita noites manhãs e madrugadas. E a vida segue gozando de nós vários cigarros. Zombando desse nosso não-sei-se católico-burguezóide.
Sobe em mim Baby, minhas costas são largas quando me aprumo, vamos cruzar esses pântanos em busca da redenção, nada pode ficar assim, a gente tem que mudar esse roteirozinho manjado. Usemos de nossa criAtividade só pra sacanear esse tempo regado à tédio.
Não Baby, não diga que não pode, não diga que não sabe se quer, não diga que não sabe; sai desse condicional! Essa estória é muito chata, é muito igual, podemos mais ! Arrombe as portas na hora do discurso, atire pedras se for inultilmente necessário, roube flores daquele meu vestido que você adora, troque as manchetes do jornal. A vida é assim de arcos, flechas e band-aids. Tiremos almenos uma pedra desse muro...
Não saca tua arma antes do mea culpa do bandido, tudo tem seu timming. Bota o dedo no spray e coloriza meu cabelo. Quero te borrar de guache e língua. Minha boca no teu pau babando azul. Vamos procurar pelos boeiros tudo que se perde, a cidade esconde lá. Acredite Baby o tempo é um moleque sacana, quando a gente se dá conta ele já envelheceu, e aí babau.
Recolhe a roupa do varal que vem chuva da grossa, não vamos deixar que se apaguem nossas digitais. Tem jogo rolando no meio de campo, e eu aqui atrás do gol ?!? Te boto a mesa sem pudores modernóides, se você fizer o café. Não tenho medo do desalinho Baby, tenho é do disssabor. Por essa cartilha que nos deram vamos só envelhecer precocemente. Sem acrescentar ao aviso que diz “ Não pise na grama “, que se pode deitar e rolar. Vem Baby, acende teu cigarro na minha boca. Vamos botar todos os decibéis de Mrs. Lee Hooker pra arrebentar com os tribunais dessa Inquisição; nos consideremos perdoados. Vem Baby, te ofereço o meu ócio e minhas poucas decisões. Se cresço ao teu lado irradio. Peça bebida pra dois. Mas se não for isso, cancele a tempo de eu refazer o pedido. Não gosto do gosto da boca seca. Nem de salas de espera . Mara Manhã, Mara raibã, Tanga de LÃ... Campinas
Campinas, 02/97.
Escrito por Mara às 00h47
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Acho que estou cansado de leviandade. Cansado de ter usado kilometros de papel higiênico ou enchido incontáveis privadas de incontáveis bares de esquina com a minha urina. De ter lançado à deriva uma caralhada de espermatozóides gerados por punhetas desoladas ou trepadas meias foda. Tô meio de saco cheio de preparar hectares de terra pra colher depois da chuva. Cansado do calo instalado no meu dedo de tanto estudar. Cansado de contar histórias ou decifrar lições de moral. Cansado de pegar filas e olhar pra bunda de entidades. Cansado de deitar em redes ou babar em fronhas amareladas.
Cansado de sentir dor de cabeça ou dor de dente.
Tô cansado de sorrir amarelo por excesso de nicotina. Não tenho saudades das botinas velhas que usei. Tô cansado de ver peças publicitárias. Deficitário de cafunés descompromissados. Tô cansado de testemunhar brigas e caras de choro. Tô cansado de tanta gente na rua. Tô cansado de mulher nua. Tô cansado da lua brilhando bonita. De ouvir sobre o amor da Maria Bonita.
Na verdade, ando sem orgulho das coisas boas que fiz. Ando vangloriando o meu fracasso. O mesmo fracasso que causa arrepios nos meus amigos de sucesso. Ando com um dos tendões reformado e a alma cheia de reboque desgrudado.
Ando chapiscado de porradas e chamuscado de raios solares.
Ando pisando em bosta e me enchendo de vermes.
Ando inexplicavelmente feliz. Inexplicavelmente satisfeito com a minha imperfeição. A porra da vida andou fermentando o meu bom caratismo. Estou envelhecendo como um bom wisky. Ando cagando e andando quase que literalmente. Desenvolvendo a habilidade de dar de cara com os grandes amigos que me traíram. A liberdade de olhar pro meio dos seus olhos e perguntar: - Tá feliz com o seu sucesso, brother?
Ando sabotando sabotadores com a minha despudorada falta de orgulho.
Nelson Perez
Escrito por Mara às 23h37
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Andei ausente...
Meu corpo aparecia em público,
Mas eu estava ausente...
Andei por aí chutando latas,
abrindo covas,
abraçando cachorros notívagos...
Nem sempre o diabo está a fim
de fazer trato,
de dar trégua...
Desconfio das pessoas que parecem sempre felizes.
Estória com e,
História com h,
o ph da farmácia nunca alterou o teor
de suas drogas lícitas...
O vôo das facas às vezes é rasante,
mas facas só cortam a carne
e carne tem muita por aí...
Mara
Escrito por Mara às 16h30
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Dessas cenas de filmes que te marcam sabe-se lá porque e, a bem da verdade, não há a menor importância em explicar.
O filme em questão é Despedida em Las Vegas (1995), direção de Mike Figgis. A estória gira em torno de Ben Sanderson, um roteirista alcoólatra que perde o emprego e decide ir para Las Vegas beber até morrer. Chegando lá dá de cara com a prostituta Sera, interpretados pelos atores Nicolas Cage e Elisabeth Shue respectivamente.
Os dois se apaixonam e resolvem viver juntos, mas cada qual mantendo seus propósitos e, é justamente nesse arranjo que visualizo uma das mais profundas definições de solidão. Ben diz a Sera: “por que você quer me levar pra sua casa? Eu vou beber todos os dias, vomitar, ter delírios até morrer.” E Sera responde: “estou cansada de voltar pra casa só pra tirar a porra da boca.”
Escrito por Mara às 16h27
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