Esses dias tô feita
de poucos ruídos,
me acalmo na calma
desse pôr-do-sol
Londrinense
e te desenho,
assim de longe;
assim de memória
de saudade serena.
Tua ausência se mistura
com outras recordações.
Fora daqui sei que a vida
espera de mim,
armadura e armas em punho.
Deixo que ela espere
não tenho nenhuma pressa
de sofrer;
me quixoteio nesses moinhos
de ventos
calmos.
Finjo
conscientemente
que a tempestade não existe.
Não tenho pressa
de me
desesperar . . .
Mara
Escrito por Mara às 00h28
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Sigo assim, ensolarada em pleno inverno.
Sim,
ando setembrando a vida, não quero dar a ela a chance de me anuviar.
Teimo e floresço!
A pedras, paus, trovões e engarrafamentos...
Azuleio, amarelo ,embranqueço, broto de onde menos se espera...
Se você não vier vou te buscar, se você não existir vou te inventar ,
até virar verdade...
Mara
Escrito por Mara às 00h10
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Ora, Maria! O meu mundo é de
Temperaturas
Tensões
Fulgurações...
Eu nada tenho a ver com os sentimentos humanos!
Por que tu não és uma vaca, Maria ?
Ficaria tudo mais simples e verdadeiro. . .
Mário Quintana
Escrito por Mara às 12h56
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O UIVO DO VIRA-LATA (ou - pra não dizer que não falei do Ginsberg)

eu vi os melhores cérebros de minha geração florecerem darem frutos alojados em repúblicas, alimentados de blues, livros e porres muito porres, eu vi garotos apaixonados cometendo harakiri em restaurantes italianos musas inacessíveis ignorando poemas, poetas e a navalha de Gaugin meninos de olhares tristes assustados com os holofotes titubeando diante da platéia voraz dançando o último tango em Londrina eu vi garotos posando de intelectuais em bocejantes debates vespertinos atores recém chegados ao teatro redescobrindo a vida vendo deus nos camarins do zaque de melo fazendo sexo em lugares exóticos lançando mão dos últimos centavos por uma ponta eu vi meninos e meninas oferecendo seus sagrados traseiros aos profanos bancos de universidades praguejando contra docentes, ruminando uma revolução pessoal espalhando poesia nova e original por microfones prosaicos engatilhando suas mentes na mira do sonho através de resenhas de meia página acordando outros garotos com matérias feitas com ódio, amor e pólvora eu vi meninas abrindo as pernas da mente pra editora Brasiliense chamando deus e o diabo prum duelo desigual e saírem ilesas, soprando o cano do Colt eu vi um grupo de rapazes convulsionados, doidos tomando de assalto o bar valentino, querendo incendiar o Lumiar vagabundos iluminados transgredindo com um cesto de vime sobre a cabeça brigando em esquinas noturnas quebrando dentes, mãos, ossos, fraturas inevitáveis, cicatrizes de uma juventude indelével eu vi moleques aparentemente frágeis, cuspindo vida e fogo em telas brancas fazendo tremer coquetéis entediantes, atirando taças e palavras contra as paredes eu vi o moleque sacana, de olhar perverso dar adeus antes da hora rosas de plástico embalando sua poesia amigos juntos cantando em bares com garçons sonolentos uma tribo disforme caminhando em slow motion em algum festival do inteiror encarando uma parada, chamando pro pau encarando o suposto inimigo nos olhos e depois desprezá-lo com frases, deboches deliciosos de quem sabe escarnecer de todos os deuses e todos os demônios juntos meninos e meninas de óculos escuros sob o sol do meio dia disfarçados, dando um perdido em seus anjos da guarda sentados sobre o muro, cheio de ideais, usando camisetas com estampas de cadáveres que pareciam dançar sobre o tecido eu vi os melhores cérebros de minha geraçao florescerem mas vi também alguns dos melhores cérebros da minha geração secarem ao sol murchos e sem voz, querendo mais uma dose, um pico, uma carreira, uma lata pilada esquecidos, solitários no meio do deserto, pedindo carona ao trem fantasma eu me vi em cada um deles projetei neles meus desejos e hoje quando olho pra cada um deles limpos, sujos, famosos, anônimos, bêbados ou lúcidos fica a sensação de que chegamos a algum lugar embora eu saiba exatamente aonde.
(Márcio Américo)
Tunguei porque faço parte dessa estória.
Escrito por Mara às 22h56
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Se tem uma coisa que me dá uma tremenda satisfação nessa vida é ser amiga de umas figuras malucas e cheias de talento. Uma dessas figuras é Márcio Américo. Dos tempos de Londrina, nossa boa e tresloucada Londrix...
Márcio Américo é autor do livro “Meninos de Kichute”. A escrita do cara é sarcasticamente lírica, assim feito um chute na boca do estômago seguido de um sedutor beijo no pescoço. Esse é o cara e esse é o livro...
Escrito por Mara às 23h30
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