Lado B


Ana Cristina César era uma dessas pessoas para quem a vida fora da poesia pesava por demais. Jornalista inquieta, poeta mordaz...

Em 1972 depois de várias tentativas (de viver e de morrer) ela finalmente opta por retirar-se... E deixa pra gente sua luxuosa e cítrica escrivinhadura...

( Quando Chegar)

 

“ Quando eu morrer,

    Anjos meus,

Fazei desaparecer, sumir, evaporar

Desta terra louca.

Permiti que eu seja mais um desaparecido

Da lista dos mortos de algum campo de batalha

Para que eu não fique exposto

Em algum necrotério branco

Para que não me cortem o ventre

Com propósitos autopsianos

Para que não jaza num caixão frio

Coberto de flores mornas

Para que não sinta mais os afagos

Desta gente tão longe

Para que não ouça reboando eternos

Os ecos de teus soluços

Para que perca-se no éter

O lixo desta memória.

Para que apaguem-se bruscos

As marcas do meu sofrer

Para que a morte só seja

Um descanso calmo e doce

Um calmo e doce descanso.



Escrito por Mara às 10h26
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   PARA OS QUE ME PERGUNTAM "QUEM É ESSE MÁRIO BORTOLOTTO" TAÍ O CARA. DRAMATURGO, BEBUM E BLUSEIRO, TUDO COM A MAIS ALTA COMPETÊNCIA E TALENTO. AQUI COM SUA BANDA "TEMPO INSTÁVEL"

Escrito por Mara às 13h52
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DO PAU-BRASIL

BROTOU A PRIMEIRA FLORESTA

ANTROPOFÁGICA

NESTES TEMPOS DE BRASIL

 PÓS-MODERNO

RESTA-NOS OS RUIDOS TOSCOS

DAS MOTOSSERRAS. . .

                                            MARA

 



Escrito por Mara às 10h01
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TODA SEXTA-FEIRA

                                            TODA ROUPA É BRANCA

                                            E TODO MUNDO É

                                            BAIANO...



Escrito por Mara às 07h39
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E lá se vão 50 anos... Foto tunagada do blog de Mário Bortolotto.

Escrito por Mara às 12h52
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Escrito por Mara às 12h49
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MINHA LOUCURA

Charles Bukowski

 

Existem graus de loucura, e por mais louco que você seja, mais óbvio será para as outras pessoas. A maior parte da minha vida eu escondi minha loucura dentro de mim, mas ela está lá. Por exemplo, algumas pessoas falarão para mim sobre isso ou aquilo e enquanto essas pessoas estão me entediando com suas generalidades banais, eu irei imaginá-las com a cabeça, dele ou dela, descansando sob a guilhotina, ou vou imaginá-las em uma enorme frigideira, fritando, enquanto me olham com seus olhos assustados. Em situações reais como essas, eu provavelmente tentaria um resgate, mas enquanto elas estão falando comigo eu não consigo imaginar isso. Ou, com um humor melhor, eu poderia imaginá-las andando de bicicleta longe de mim. Eu simplesmente tenho problemas com seres humanos. Animais, eu amo. Eles não mentem e raramente tentam atacá-lo. Às vezes eles são espertos, mas isso é permitido. Por quê?

 

A maioria da minha juventude e vida adulta foi em quartos minúsculos, confortável, olhando as paredes, as sombras rasgadas, as maçanetas dos armários. Eu sabia da fêmea e a desejava, mas eu não queria tentar atravessar as dificuldades para consegui-la. Eu sabia do dinheiro, mas de novo, como com a fêmea, eu não queria fazer as coisas necessárias para consegui-lo. Tudo o que eu queria era suficiente para um quarto e para algo para beber. Eu bebia sozinho, geralmente na cama, com todas as persianas fechadas. Às vezes eu ia aos bares checar os tipos, mas os tipos eram os mesmos – não muito e freqüentemente menos do que aquilo.

 

Em todas as cidades, eu conferi as bibliotecas. Livro depois de livro. Poucos livros disseram algo para mim. Eles eram, na maioria, poeira na minha boca, areia no meu pensamento. Nenhum se relacionava comigo ou com o que sentia: onde estava -  nenhum lugar - o que tinha – nada – e o que queria – nada. Os livros do século somente eram feitos do mistério de ter um nome, um corpo, andando, falando, fazendo coisas. Ninguém parecia preso com a minha loucura particular.

 

Em alguns dos bares eu fiquei violento, havia brigas nos becos, a maioria perdi. Mas eu não estava brigando com  ninguém em particular, eu não estava bravo, eu só não entendia as pessoas, o que elas eram, o que faziam, como elas pareciam. Eu ia preso e saía, era despejado dos quartos. Dormia em bancos de praça, em cemitérios. Eu estava confuso, mas não era infeliz. Não era depravado. Só não conseguia entender nada do que existia. Minha violência era contra a óbvia armadilha, eu estava gritando e eles não entendiam. E mesmo nas brigas mais violentas eu olhava para o meu oponente e pensava, por que ele está bravo? Ele quer me matar. Aí eu tinha que socar para tirar a besta de mim. As pessoas não têm senso de humor, elas são tão sérias a respeito de si mesmas.

 

Em algum lugar, e eu não tenho idéia de onde vem, eu pensava, talvez eu devesse ser um escritor. Talvez eu possa escrever as palavras que eu não li, talvez fazendo isso eu consiga tirar o tigre das minhas costas. E assim comecei e décadas passaram sem muita sorte. Agora, eu era um escritor louco. Mais quartos, mais cidades. Eu afundei e afundei. Congelando uma vez em Atlanta em uma barraca de papelão, vivendo com um dólar e vinte cinco cents a semana. Sem encanamento, sem luz, sem aquecimento. Congelando com minha camisa californiana. Uma manhã eu achei um pedaço de lápis e comecei a escrever poemas nas margens de velhos jornais no chão.

 

Finalmente, aos 40, meu primeiro livro foi lançado, um pequeno livro de poemas, ‘Flower, Fist and Bestial Wail’. O pacote de livros chegou pelo correio e eu o abri e aqui estavam os livrinhos. Eles se esparramaram na calçada, todos os livrinhos, e eu me ajoelhei sobre eles, estava de joelhos, e peguei um ‘Flower Fist’ e beijei. Isso foi há trinta anos atrás.

 

Ainda escrevo. Nos primeiros quatro meses deste ano eu escrevi 250 poemas. Eu ainda sinto a loucura me atravessar, mas ainda não tenho a palavra do jeito que a quero, o tigre ainda está nas minhas costas. Eu vou morrer com aquele filho da puta nas minhas costas, mas eu lutei. E se há alguém louco o suficiente para querer ser um escritor, eu diria para continuar, cuspir no olho do sol, acertar o principal, é a melhor loucura, os séculos precisam de ajuda, os tipos gritam por luz e apostam na alegria. Dê isso a eles. Há palavras suficientes para todos nós



Escrito por Mara às 09h15
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